Divulgação/MPSC
Estão sendo cumpridos 15 mandados de prisão e 44 mandados de busca e apreensão, sequestro de bens e valores de 38 pessoas físicas e 31 pessoas jurídicas em razão da prática dos crimes contra a ordem tributária, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, uso de documentos falsos e associação criminosa. Na estimativa do fisco estadual o valor sonegado é de aproximadamente R$ 45 milhões no contexto dos ilícitos tributários investigados.
Na manhã desta terça-feira (16/09), o Grupo de Atuação
Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO), deflagrou a Operação
"Mercado de Pandora" em apoio à 6ª Promotoria de Justiça da Comarca
de Chapecó - Promotoria Regional da Ordem Tributária.
Estão sendo cumpridos 15 mandados de prisão preventiva, 44 mandados de busca e apreensão em residências, escritórios contábeis e sedes das empresas fictícias, 38 ordens de bloqueio de bens e valores de pessoas físicas e 31 ordens de bloqueio de bens e valores de pessoas jurídicas. O valor solicitado para bloqueio atinge R$ 227.693.596,10. Durante o cumprimento dos mandados uma pessoa foi presa em flagrante pelo porte de munições de calibre restrito e um simulacro de arma de fogo que também acabou apreendido.
As ordens judiciais foram expedidas pela Vara Estadual de
Organizações Criminosas e estão sendo cumpridas nas residências e empresas dos
investigados por integrantes do GAECO de Santa Catarina, Paraná, São Paulo e
Alagoas, localizadas nas cidades catarinense de Joinville, Mafra, São João
Batista, Campo Erê. Além das cidades de Francisco Beltrão, Foz do Iguaçu,
Apucarana, Marmeleiro, São Jorge do Oeste, no Paraná e em Maceió/AL, Limeira/SP
e São Paulo/SP.
As investigações tiveram como objetivo desarticular uma
organização criminosa especializada em fraude fiscal e sonegação tributária no
comércio eletrônico. A investigação, que tramita sob sigilo, revelou um
sofisticado esquema de evasão fiscal por meio da venda de smartphones em
plataformas de marketplace.
Segundo as apurações conduzidas pelo GAECO, os investigados
atuavam utilizando empresas "laranjas" registradas em nome de
interpostas pessoas (as chamadas "empresas noteiras"), com o único
objetivo de emitir notas fiscais eletrônicas fictícias e viabilizar a venda de
produtos sem o devido recolhimento de tributos.
Após atingir determinado volume de vendas, as empresas eram
rapidamente inativadas ou abandonadas e novas empresas eram constituídas em seu
lugar, mantendo o ciclo de sonegação e ocultação de receitas.
Estima-se que o grupo tenha movimentado dezenas de milhões
de reais em operações fraudulentas, gerando um prejuízo milionário aos cofres
públicos. Além da evasão de tributos, o esquema também dificultava o rastreio
contábil e promovia a concorrência desleal no setor varejista de
tecnologia.
A operação demonstra que, mesmo em ambientes digitais, há
rastros que podem ser seguidos pela inteligência policial e fiscal. Esse tipo
de fraude afeta toda a sociedade, prejudica a arrecadação de tributos e
compromete a concorrência justa no comércio. Os investigados poderão responder
por crimes de organização criminosa, sonegação fiscal, falsidade ideológica,
lavagem de dinheiro, dentre possíveis outros.
Operação "Mercado de Pandora"
O nome da operação faz referência ao mito grego da
"Caixa de Pandora", segundo o qual um recipiente, ao ser aberto,
libertou todos os males do mundo, restando apenas a esperança.
No contexto da investigação, o termo foi adaptado para
"Mercado de Pandora" como alusão ao ambiente virtual aparentemente
legítimo em que os investigados atuavam, promovendo vendas de produtos por meio
de marketplaces e emitindo notas fiscais por empresas de fachada.
À semelhança do mito, esse mercado, que à primeira vista se
apresentava como regular, ao ser desvendado, revelou uma rede oculta de fraudes
fiscais, sonegação tributária, falsidade ideológica e dissimulação patrimonial,
cuidadosamente construída para operar sob a aparência de legalidade.
As apurações contaram com o apoio da Fazenda Pública
Estadual de Santa Catarina uma vez que existe o interesse Fazendário na
investigação, por se tratar de prováveis ilícitos administrativos, fiscais e
penais, incluindo a falsidade ideológica no registro de endereço de empresas,
possível ocultação de receitas e patrimônios. Na estimativa do fisco estadual o
valor sonegado é de aproximadamente 45 milhões de reais no contexto dos
ilícitos tributários investigados.
Na deflagração desta operação, o GAECO conta com o apoio
técnico da Polícia Científica de Santa Catarina, com vistas a preservação da
cadeia de custódia no tocante as evidências arrecadadas de interesse
investigativo.
No cumprimento das decisões judiciais fora de Santa Catarina
o GAECO conta com o apoio dos Ministérios Públicos de São Paulo, do Paraná e de
Alagoas por intermédios dos seus respectivos GAECO além da participação em
território paulista de guarnições das Polícia Militar e equipes da Polícia
Civil de São Paulo. Além disso, a ação contou com o suporte do
Laboratório de Operações Cibernéticas (CIBERLAB), da Diretoria de Operações
Integradas e de Inteligência (DIOPI), da Secretaria Nacional de Segurança
Pública (SENASP, por meio do seu Núcleo de Operações em Criptoativos e foi
responsável por fornecer suporte técnico especializado para o rastreamento,
busca e apreensão dos valores em ativos virtuais movimentados pela organização
criminosa.
As investigações tramitam sob sigilo e, assim que houver a
publicidade dos autos, novas informações poderão ser divulgadas.
O GAECO
O Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações
Criminosas (GAECO) é uma força-tarefa conduzida pelo Ministério Público de
Santa Catarina e composta pela Polícia Civil, Polícia Militar, Polícia Penal,
Receita Estadual e Corpo de Bombeiros Militar, e tem como finalidade a
identificação, prevenção e repressão às organizações criminosas.
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