Fotos: Divulgação
O último sábado foi o Dia Mundial dos Cuidados Paliativos. A
data tem como objetivo conscientizar a população sobre a importância do
assunto. Os Cuidados Paliativos correspondem ao conjunto de cuidados oferecidos
às pessoas com diagnósticos de doenças que ameaçam a vida. Eles devem iniciar no
momento do diagnóstico e buscam oferecer alívio do sofrimento, bem-estar e
qualidade de vida ao paciente.
Segundo a psicóloga
hospitalar, Daniela Filipini, com o
avanço da medicina e das tecnologias é cada vez mais comum ouvir falar sobre o
tema. Apesar disso, muitas vezes há dificuldade na compreensão sobre o
significado, afinal, é algo diretamente ligado a um assunto evitado na
sociedade – a morte. “Estar em ‘Cuidados Paliativos’ não significa que a pessoa
esteja em fase de terminalidade – a pessoa pode conviver com uma doença
incurável por meses ou anos, a depender de cada caso, desde que receba os
cuidados necessários para manutenção do seu quadro de saúde e qualidade de
vida”, destaca.
A psicóloga reforça ainda que é muito comum observar que as
pessoas evitam falar sobre morte, o assunto é delicado e é difícil saber lidar
com isso. “No entanto, não falar sobre a morte não impedirá que ela aconteça.
Por outro lado, enquanto não aceitamos a finitude da vida como possibilidade
real, deixamos de realizar coisas importantes em nossas vidas. Quando uma
pessoa está em Cuidados Paliativos a vida é urgente! Sabe-se que há uma ameaça
real, desta forma, é importante que a pessoa esteja devidamente informada para
que possa buscar resolver questões importantes, como desavenças familiares,
testamentos, definição de cuidados que deseja receber na terminalidade; além de
realizar desejos – visitar lugares, estar com a família, comer o que gosta,
fazer o que gosta, entre várias possibilidades”, explica.
Daniela reforça que é muito importante as pessoas compreenderem
que os ‘Cuidados Paliativos’ são sobre a vida. “Uma vida abreviada devido a uma
doença grave. Mas, uma vida ainda presente e com potencial para realizações
pessoais significativas. A mensagem mais importante dos Cuidados Paliativos,
conforme palavras de Cicely Saunders, fundadora dos Cuidados Paliativos, é que “a
pessoa deve viver plenamente até o dia da sua morte. A pessoa tem o direito de
decidir o quanto quer saber sobre o seu diagnóstico – ou seja, deve informar
sua decisão ao médico, e o médico por sua vez tem a obrigação de fornecer as
informações referentes ao quadro clínico do indivíduo. Um dos pilares dos
Cuidados Paliativos é respeitar a autonomia do indivíduo e, para isso, é
preciso muita sensibilidade dos profissionais de saúde”, diz Daniela.
O suporte de uma equipe preparada pode minimizar as
consequências ao paciente ao ser informado sobre o diagnóstico de uma doença incurável,
por exemplo. “Por isso, é tão importante o acesso a uma equipe multidisciplinar
para atender o indivíduo e sua família da forma adequada. Afinal é de suma
importância que o paciente e a família compreendam adequadamente o diagnóstico
e que possam, a partir disso, decidir o que é melhor para si”, finaliza
Daniela.
Equipe multidisciplinar acompanha os pacientes em cuidados paliativos
Desde que o Hospital Regional Terezinha Gaio Basso – Instituto Santé, foi fundado, existe uma comissão que cuida dos pacientes em estado de cuidados paliativos.
Para o médico Oncologista, William Casagrande Sanches, as medidas e estratégias
precisam ser tomadas de forma precoce para melhorar a qualidade de vida
pacientes e dos seus familiares frente a problemas a doenças potencialmente fatais.
“A partir do momento em que você tem uma situação grave, que tem prognóstico a
pequeno, médio e longo prazo desse paciente evoluir a óbito, é preciso atuar de
forma precoce. Temos que trabalhar a prevenção dos problemas e alívio do
sofrimento. Fazer uma avaliação da dor física, psicossocial e até espiritual”,
explica o Doutor William.
A enfermeira Mônica destaca também, que tratar o paciente de
forma humanizada minimiza o sofrimento de quem está passando por um momento
delicado. “Somos pessoas cuidando de pessoas. Todo o ser humano merece ser
tratado de forma digna e respeitosa, ainda mais na condição de cuidados
paliativos”, reforça.
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