Petróleo, poder e geopolítica: especialista aponta 3 fatores da investida dos EUA contra Maduro

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil/ND

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil/ND

03/01/2026 - 16h38

A doutora em Ciência Política e especialista em Relações Internacionais pela USP, Denilde Oliveira Holzhacker, apontou ao ND Mais os três pilares fundamentais para compreender a investida dos Estados Unidos contra o regime de Nicolás Maduro na Venezuela.

A análise surge após a operação militar deste sábado (3), que resultou na captura e retirada aérea do presidente venezuelano e de sua esposa do país. Agora, ele vai enfrentar o tribunal de Nova Iorque, segundo a Justiça norte-americana.

Enquanto Washington mantém silêncio sobre os detalhes do paradeiro de Maduro, a vice-presidente da Venezuela Delcy Rodríguez exigiu uma “prova de vida” dele. Além do presidente, a esposa do venezuelano, Cilia Florestambém foi levada.

Entenda os três fatores que explicam a intervenção dos EUA na Venezuela

Petróleo e recursos naturais estratégicos

A Venezuela possui cerca de 17% das reservas de petróleo do mundo, o equivalente a mais de 300 bilhões de barris. Além disso, o petróleo venezuelano bruto é compatível com as refinarias americanas, por isso, é considerado estratégico para os Estados Unidos.

O acesso ao petróleo venezuelano poderia ter impacto no custo para o consumo da população americana. A Venezuela é também rica em outros minerais, ouro, bauxita e gás. Também considerado estratégico para o Governo Trump.

Disputa geopolítica e contenção de rivais globais

Os Estados Unidos lançaram uma nova política de segurança nacional que reinstala uma política do século 19, definindo o continente americano como sua principal área de influência. Essa política afirma que os Estados Unidos defenderão seus interesses na região contra a presença de outras potências, como China e Rússia.

O governo Trump acredita que a aliança militar e econômica de Maduro com esses países ameaça a posição dos Estados Unidos. Impedir que esses países mantenham um aliado militar no continente é um fator crucial para estabelecer a lógica da disputa geopolítica. Além disso, a aliança da Venezuela com o Irã a posiciona em alianças com inimigos americanos.

Retórica anti-socialista e política doméstica

O discurso anti-socialismo é uma das retóricas usadas para justificar as ações do Trump junto à sua base eleitoral. Por isso, é frequentemente encontrado nos discursos do Secretário de Estado, Marco Rubio. Ele vê o regime Maduro na mesma ótica do regime cubano, não apenas por razões anti-socialistas, mas também anti-americanas.

Entenda o contexto da investida americana na Venezuela

A relação entre Estados Unidos e Venezuela se deteriorou de forma acentuada nos últimos anos, marcada por sanções econômicas, isolamento diplomático e acusações de violações de direitos humanos contra o governo de Nicolás Maduro.

A ofensiva deste sábado representa o ponto mais alto dessa escalada e ocorre em meio à disputa por influência na América Latina, com o avanço de China, Rússia e Irã na região.

O governo venezuelano afirma que Maduro foi capturado por forças americanas e cobra explicações oficiais de Washington, enquanto os Estados Unidos ainda não divulgaram detalhes sobre a operação nem sobre o destino do presidente venezuelano.

 


  • por
  • Jornal Regional
  • FONTE
  • ND+



DEIXE UM COMENTÁRIO

Facebook