Formação de ciclone bomba e passagem de tempestades provocam ao menos 3 mortes em SC
30/06/2020 - 22h50
A formação de um ciclone bomba e a passagem de tempestades
provocaram estragos em Santa Catarina nesta terça-feira (30). Houve
destelhamento de imóveis, queda de árvores e pelo menos três mortes, segundo o
Corpo de Bombeiros e Defesa Civil.
As rajadas de vento passaram dos 100 km/h em
algumas regiões e, conforme as Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc),
durante a tarde mais de 1,5 milhão de unidades consumidoras ficaram sem energia
elétrica. O mau tempo deve continuar até esta quarta-feira (1º).
Em Chapecó,
no Oeste, uma idosa morreu após ser atingida por uma árvore. Em Santo Amaro da Imperatriz, na Grande
Florianópolis, um homem perdeu a vida depois de ser atingido pela fiação
elétrica de um poste depois da queda de uma árvore. A terceira morte foi em Tijucas,
também na Grande Florianópolis, em uma estrutura que caiu, mas ainda não há
mais detalhes, porque a ocorrência está em andamento.
Conforme a Polícia Rodoviária Federal (PRF-SC), ainda
há árvores caídas em várias rodovias. Alguns dos locais onde a pista foi ou
está interditada são a BR-470, em Blumenau, Ascurra, Lontras e Rio do Sul; a
BR-116 em Mafra, Monte Castelo; BR-282, Joaçaba, Campos Novos, Vargem, Xanxerê,
São José do Cerrito, Bom Retiro Rancho Queimado; e BR-101 em Itajaí, Biguaçu,
Paulo Lopes e Tubarão; BR-153 em Concórdia; e BR-280 em Araquari.
Grande Florianópolis
Em Florianópolis, até por volta das 17h25 mais
da metade da cidade estava sem energia elétrica e o trânsito estava
comprometido em alguns trechos. Não há registro de feridos até o momento.
No bairro Córrego Grande, uma van e um carro de
passeio foram atingidos por uma árvore em frente ao Parque Municipal do Córrego
Grande. Houve também queda de árvore nas proximidades da Universidade Federal
de Santa Catarina (UFSC), no bairro Estreito, no Morro da Lagoa, no bairro
Pantanal e na SC-401, que liga o Centro ao Norte da Ilha de Santa Catarina.
No bairro Rio Tavares, um poste caiu sobre um veículo
e a SC-406 está parcialmente bloqueada. Uma placa de trânsito foi arrancada
pela força do vento perto da ponte Hercílio Luz, informou a Guarda Municipal.
No bairro Ingleses, uma creche municipal ficou destelhada.
Em São José, houve ventos fortes em toda a
região, com falta de luz e queda de árvores. Em Governador Celso Ramos, uma árvore de grande porte bloqueia
o acesso via Armação. Já em Santo Amaro da Imperatriz, um homem morreu atingido
pela fiação de um poste após a queda de uma árvore sobre a rede de alta tensão.
Em Palhoça,
a queda de uma árvore sobre a via, na Guarda do Cubatão, atingiu a rede de alta
tensão.
Vale do Itajaí
No Vale do Itajaí, o vendaval também deixou estragos e
assustou os moradores. Um carro foi destruído com a queda de uma estrutura em Itajaí e
houve quedas de árvores. Uma embarcação do ferry boat foi arrastada rio abaixo pelo vento. A balsa ia sentido
Navegantes quando ficou desgovernada por cerca de 500 metros, com veículos e
pedestres a bordo. O motorista da balsa precisou manobrar de volta pro local de
embarque. E a balsa que tentava atracar do lado de Navegantes colidiu com a
outra que já estava estacionada e precisou ser rebocada. Ninguém ficou ferido,
mas a travessia ficou interrompida após o incidente por mais de duas horas.
Em Blumenau várias árvores caíram e bloquearam
ruas da cidade. Uma delas caiu na rua XV de Novembro e interrompeu o trânsito.
No bairro Itoupava Norte, o vento derrubou a cobertura de um posto de
combustíveis da Rua 2 de Setembro. A Defesa Civil já registrou 55 ocorrências e
equipes estão nas ruas levantando os estragos.
Conforme a Celesc, cerca de 85 mil unidades
consumidoras ficaram sem energia elétrica . Em toda a região, o número chega a
192 mil imóveis sem luz. Segundo a Polícia Rodoviária Federal houve pontos de
interdição total ou parcial na BR-470 nos municípios de Blumenau, Ascurra,
Lontras e Rio do Sul.
Em Brusque, ventos fortes, com queda de árvores, sendo
que uma delas caiu em cima da perna de um trabalhador, que está com suspeita de
fratura. Houve ainda quedas de placas, destelhamentos e vidros quebrados. Na
cidade de Guabiruba , teve registro de queda de árvores. As informações são do
Corpo de Bombeiros.
Oeste catarinense
No Oeste, primeira região do estado atingida pelo vendaval, uma pessoa morreu e diversos estragos foram registrados.
Em Chapecó, uma idosa de 78 anos morreu após ser
atingida por uma árvore derrubada pela força do vento, próxima do aeroporto, no
bairro Quedas do Palmital. A equipe do Corpo de Bombeiros prestou atendimento,
mas a vítima não resistiu e morreu no local.
A velocidade do vento chegou a 108 km/h por volta das
13h30 no município, segundo Marcelo Martins, que é o meteorologista da
Epagri/Ciram, órgão que monitora as condições climáticas no estado. A
Secretaria de Defesa do Cidadão e Mobilidade (SEDEMOB) recebeu, via Defesa
Civil, 350 registros de destalhamentos, quedas de árvores e galhos.
Segundo a Prefeitura de Concórdia foram registrados
danos em 15 unidades escolares, dois Centros de Convivência, e o destelhamento
do terminal rodoviário. Até as 15h, não havia registro de feridos no município.
O mau tempo também causa transtornos em cidades da
região. Em Xanxerê, o vento por volta das 10h chegou a 81,4 km/h, também houve
queda de granizo. Nos bairros Pinheiro e Veneza foram registrados
destelhamentos e lonas foram distribuídas aos moradores.
Em Descanso, na linha Itajubá, uma casa foi destelhada. Houve também uma queda
de um pinheiro entre duas residências, mas sem atingir as edificações. Na saída
para linha Pratinhas uma casa, que já havia sido atingida pelo temporal do dia
10 de junho, teve telhas arrancadas. Moradores também relataram danos em
apartamentos, devido ao excesso de chuvas que causou infiltrações.
Os fortes ventos e
chuvas causaram muitos estragos em Itapiranga. O Corpo
de Bombeiros teve muito trabalho para desobstruir a SC-163, onde muitas árvores
caíram. As comunidades de Linha Santa Cruz, Cordilheira, Santa Fé Alta foram as
mais atingidas. Funcionários da prefeitura com máquinas estão desobstruindo as
estradas e auxiliando, principalmente na Linha Santa Cruz, local mais atingido.
Os clubes das comunidades de Cordilheira e Santa Fé Alta foram atingidos pelos
temporais.
O forte temporal causou estragos no município de Palmitos com árvores
arrancadas, empresas e casas destelhadas. Com o vento forte, a estrutura
metálica de cobertura da empresa Biasi cedeu e ficou bastante danificada. Além
das casas destelhadas, cabos de energia se romperam e a torre da Rádio
Comunitária 98.7 FM caiu com o vento forte. Também, o ginásio esportivo da
Escola Estadual Princesa Isabel, que estava em reformas, foi bastante atingido.
Após o vendaval, Corpo de Bombeiros e Defesa Civil trabalham na retirada dos
materiais e auxílio para a população.
Em Mondaí, várias casas foram
destelhadas com a força do vento. Alguns estabelecimentos comerciais também
tiveram transtornos.
Algumas indústrias
do município foram atingidas, a exemplo da Indústria de Móveis Henn, a qual
teve o setor de carregamento fortemente atingido, além de outras partes da
estrutura. A Rádio Porto Feliz também foi prejudicada com o temporal, sendo que
teve a sua torre de transmissão, localizada na Linha Capivara, quebrada ao meio
com a força do vento, estando desta maneira fora do ar.
Em Iporã do Oeste, o fato ocorreu na
propriedade da família Simon, na linha Alto Tigre, as margens da SC 386. O
galpão, que servia de abrigo para o gado leiteiro, teve cerca de metade do
telhado arrancado pelos fortes ventos no final da manhã desta terça-feira.
Segundo os proprietários, a estrutura havia sido concluída há poucos dias, e
não possuía seguro. Além do telhado, os agricultores também tiveram prejuízos
com a perda da maravalha, usada para o descanso dos animais. Também na linha
Alto Tigre árvores caíram sobre o galpão de outra propriedade, e árvores foram
arrancadas pelo vento obstruindo o acesso ao local. No município também foram
registrados danos em um poste de energia elétrica e queda de árvore na região
do trevo.
Em São José do Cedro, os prejuízos foram no sistema de
abastecimento de água na Linha 21 de Novembro, sendo que três das quatro caixas
d´água do local foram danificadas.
Em Ponte Serrada e Concórdia, o temporal causou
problemas com o fornecimento de energia elétrica por conta do temporal.
Em Joaçaba, parte do monumento de Frei Bruno, no
bairro Flor da Serra, ficou destruída com o vento. A peça com cerca de 7 metros
de cumprimento despencou do alto estrutura e caiu em frente ao terreno, ao lado
do velário. Não havia ninguém no local no momento da queda.
São Domingos, Caibi e Xaxim também tiveram casos de destelhamentos.
Sul
Na região, houve ocorrências envolvendo vendavais, e queda de poste de TV na
subida do morro Mina Brasil e de postes de energia. Em Siderópolis foi
registrada queda de árvore e, no município de Treviso, uma idosa que estava
sozinha em casa pediu apoio aos bombeiros porque o vento estava derrubando
árvores em um sítio.
Chuvas e fortes ventos atingiram ainda Tubarão, São
Ludgero, Braço do Norte e Imbituba, a partir das 15h35. No total, foram
registradas seis ocorrências: um incêndio em residência, e cinco quedas de
árvores sobre rede elétrica, veículos, vias e residência.
Ciclone
bomba e linha de instabilidade
Segundo o professor Ernani de Lima Nascimento, do
curso de Meteorologia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), o que
ocorreu durante esta terça-feira em Santa Catarina foi uma combinação de dois
fatores, que geraram vento intenso. "Estamos no processo de formação de um
ciclone extratropical no Litoral do Sul do Brasil e de fato a previsão da sua
taxa de intensificação o classifica como um ciclone bomba", afirma.
Segundo o professor, o fenômeno tem esse nome porque é
um ciclone, em que a pressão tem uma queda rápida e isso acaba formando ventos
intensos. "Desde o início do dia houve relatos de ventos intensos em Santa
Catarina, e somado à formação do ciclone houve o desenvolvimento do que se
chama de uma linha de instabilidade, que é como se fosse várias tempestades se
alinhando. Estas tempestades geraram rajadas de vento localmente mais
fortes".
Ele explica que essa linha de linha de instabilidade
veio desde o Oeste de Santa Catarina passou pelo Norte do Rio Grande do Sul
também, atravessou o estado até o Litoral.
"Podemos atribuir a maior parte dos danos a essa
linha de instabilidade e o ciclone é o contexto maior em que essa linha se
formou. Porque temos na atmosfera os fenômenos em diferentes escalas. Então, na
escala maior é o ciclone, que está ganhando força", disse.
Os ciclones extratropicais são recorrentes na região,
conforme explica Nascimento. "Não é um fenômeno extraordinário, ele ocorre
várias vezes durante o ano e é comum no inverno, é só que esse foi mais intenso
e por isso satisfaz esse apelido de ciclone bomba. A formação desse ciclone
gerou as condições numa escala maior favoráveis a formar ventos intensos e
dentro desse ambiente gerou essa linha de instabilidades, essa linha de
tempestades, que varreu o estado de Oeste pra Leste, e essas tempestades são
capazes de gerar vento ainda mais intenso, capaz de produzir danos como quedas
de árvores e postes", conclui.
Consolidado como um dos mais importantes veículos de comunicação do Extremo Oeste de SC, pautando sua linha editorial na seriedade, o Jornal Regional alcançou alto conceito e credibilidade nos diferentes segmentos da sociedade, transformando-se num dos jornais mais respeitados da Região. Em 16 de janeiro de 1993 surgiu o jornal impresso, e em 2008, transformou-se no primeiro jornal on-line diário da região, sempre com a mesma eficiência e dinamismo.
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