A Venezuela tem
limitado o acesso a vacinas contra a Covid-19 a pessoas que tenham o cartão de
subsídios do estado, o que exclui muitos opositores do governo da campanha de
vacinação.
Quando o país
começou a imunizar a população idosa na semana passada, disse que estava
selecionando beneficiários de um registro usado pelo governo de Nicolás Maduro
para monitorar a lealdade dos eleitores e conceder subsídios estatais.
Embora todos os
venezuelanos tenham carteira de identidade nacional, nem todos se cadastraram
para obter o cartão de subsídios do estado, conhecido como “Carnet de la
Patria”, que é desproporcionalmente concedido a pessoas que dependem de ajuda
estatal e têm maior probabilidade de serem leais ao governo de Maduro.
O uso do registro
tem sido criticado por especialistas médicos, ONGs e pela oposição, já que o
banco de dados de cerca de 20 milhões de pessoas não cobre toda a população de
28 milhões. Nos últimos anos, o governo tem usado repetidamente o cartão para
condicionar o acesso a programas de alimentação, subsídios de combustível e benefícios
de assistencial social.
“Para uma
estratégia de vacinação, temos que partir de um registro que inclua 100% da
população venezuelana”, disse Julio Castro, epidemiologista de Caracas que
assessora a oposição. “Usar o Sistema Patria para decidir quem é vacinado ou
não, em nossa opinião, é discriminatório”, disse em entrevista de rádio esta
semana.
O Carnet de la
Patria é “um mecanismo de controle eleitoral”, disse Rafael Uzcátegui, que
trabalha para a ONG de direitos humanos Provea. “Muitas pessoas sabem que é um
mecanismo de controle eleitoral e não querem fazer parte dele.”
“Nem na ditadura
mais cruel do mundo existe discriminação para ter acesso a uma vacina”, disse o
líder da oposição, Juan Guaidó, em conferência de imprensa em 9 de abril.
O Ministério da
Saúde da Venezuela não respondeu a um pedido por escrito de comentários.
O país começou a
vacinar profissionais de saúde em fevereiro, logo depois de receber as
primeiras doses da Rússia e da China, embora muitos trabalhadores da linha de
frente ainda não tenham sido imunizados. O governo não divulgou nenhum dado
oficial sobre o número de pessoas vacinadas.
A Venezuela tem
atualmente 175.812 casos de Covid-19, de acordo com dados do governo. Com as
infecções batendo recordes diários neste mês, os hospitais do país, precários e
sem recursos, estão quase lotados.
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