Sem brilho e pouco futebol, no pior Grenal da história
Foto: Ricardo Duarte/Inter
13/04/2026 - 08h23
Inter e Grêmio não saíram do 0 a 0 no clássico de número
452, no Beira-Rio, pela 11ª rodada do Brasileirão, em partida de pouco futebol.
Com o resultado, as equipes chegaram aos mesmos 13 pontos e permanecem na parte
intermediária da tabela, com o Grêmio à frente do rival pelo saldo de gols.
De "horrível" a "aberração
futebolística", o assunto das redes sociais foi, justamente, o baixo
desempenho de ambas as equipes. Em 90 minutos de clássico, o Inter teve três
boas chegadas, a mais clara em chute de Borré, aos 17 minutos da primeira
etapa, defendido por Weverton. Já o Grêmio teve um único lance de perigo, em
cobrança de escanteio, aos 13 da segunda etapa.
Após um começo de campeonato desesperador em termos de
resultados, o Inter chegava para o clássico com dez pontos nos últimos quatro
jogos. Também a má fase tricolor, que levantou questionamentos inclusive sobre
a continuidade de Luís Castro, somada ao fator local, que costuma ser
determinante no perrengue gaúcho, alimentava a expectativa para uma vitória
colorada.
E, de fato, o time de Pezzolano mostrou superioridade
durante o primeiro tempo. Com Bernabei de volta à lateral, devido à lesão
sentida por Matheus Bahia, conseguiu impor mais volume de jogo, apesar de ter
em Alan Patrick novamente uma figura abaixo do seu potencial. Mas os repetidos
erros na saída de bola gremista foram perdoados pelo Inter, que não desceu para
o vestiário em vantagem porque Borré parou em grande defesa de Weverton. Por
mais comprometido que seja, o colombiano soma atuações decepcionantes -- perto
dele, centroavantes das épocas de vagas magras, como Leandro Machado, parecem
uma mistura de Romário com Van Basten.
A situação se alterou para o segundo tempo, com o Grêmio
equilibrando um pouco as ações, especialmente em termos de proposição, após a
entrada de Gabriel Mec e a saída de Tetê, novamente inqualificável. Mesmo sem
poder de criação, os tricolores poderiam ter aberto o placar em conclusão de
Viery após cobrança de escanteio, que fez Rochet defender com dificuldade -- o
goleiro uruguaio, inseguro, mostraria dificuldade também em lances básicos. Foi
o momento do jogo em que o time de Luís Castro conseguiu deixar o Inter
desconfortável, mas desta vez não contou com a inspiração de Carlos Vinicius, o
centroavante com desenvoltura de uma ceifadeira, ontem anulado por Gabriel
Mercado, provavelmente o melhor em campo.
Todos sabemos que a suprema trindade de sentimentos que move
o Gre-Nal é composta por medo, rancor e vingança. Então, conforme o tempo
avançava e o placar seguia em branco, com rancores já arrefecidos e qualquer
ímpeto vingativo sendo postergado, o medo da derrota tornou-se imperioso. Não é
um sentimento a se festejar, mas é compreensível, pois um simples tombo em
Gre-Nal é capaz de provocar terremotos, e aquele ocasional gol adversário,
mastigado e não necessariamente merecido, está sempre à espreita.
Em um Gre-Nal tecnicamente sofrível, o pior dos últimos
anos, o empate ao menos manteve as coisas no seu lugar, o que no fim da noite
pareceu o melhor negócio disponível -- para o Inter, para o Grêmio e também pra
os torcedores.
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