Foto: Ricardo Wolffenbüttel/SECOM
O governador de Santa Catarina, Carlos Moisés, e o secretário de Estado da
Educação, Luiz Fernando Vampiro, anunciaram nesta segunda-feira, 20, a criação
do programa Bolsa Estudante, com o objetivo de combater a evasão escolar. O
Estado vai investir R$ 375 milhões por ano para garantir auxílio financeiro aos
alunos do Ensino Médio e da Educação de Jovens e Adultos (EJA) matriculados na
rede estadual de ensino. O programa será instituído por Projeto de Lei (PL) que
será encaminhado à Assembleia Legislativa.
“A educação é uma prioridade e todo esforço deve ser feito
pelo Estado para evitar a evasão escolar, um dos reflexos negativos da
pandemia. Queremos manter ou trazer de volta à sala de aula aquele aluno que,
eventualmente, precisou abandonar o estudo para ajudar financeiramente a
família em um momento de dificuldade", destaca o governador Carlos Moisés.
“Esse programa faz parte do pacote de investimentos para
valorizar a educação catarinense. Temos uma preocupação para que os estudantes
não deixem de frequentar a escola, por isso ampliamos a Busca Ativa dos alunos
que perderam este contato nos últimos meses. E agora chegou a hora de avançar
nesta permanência, garantindo uma bolsa para os jovens que estão com
dificuldades econômicas e sociais”, reforça o secretário de Estado da Educação,
Luiz Fernando Vampiro.
Caso aprovado, o Bolsa Estudante deve conceder um auxílio
anual de R$ 6.250 (seis mil, duzentos e cinquenta reais) para até 60 mil
estudantes da rede estadual de Santa Catarina. O valor será dividido em 11
pagamentos mensais de R$ 568, entre fevereiro e dezembro. Poderão ser
contemplados os estudantes cujas famílias tenham renda total igual ou inferior
a quatro salários mínimos, ou até meio salário mínimo por integrante.
A inscrição e seleção dos alunos para o programa Bolsa
Estudante será feita por editais públicos lançados pela SED anualmente. Os
editais também vão detalhar outros critérios relacionados à frequência escolar
dos estudantes que precisam ser cumpridos. Os pagamentos serão realizados por
meio de depósitos bancários na conta do aluno ou seu responsável legal.
Ações complementares de combate ao abandono e evasão escolar
A criação do Bolsa Estudante é complementar às ações que o
Governo do Estado já desenvolve no combate à evasão escolar, já que uma das
principais causas é a necessidade de inserção dos jovens no mercado de trabalho
para complementar a renda e a subsistência familiar. Além disso, o programa tem
como objetivo incentivar alunos em situação de vulnerabilidade social,
estimular a frequência na escola e, assim, assegurar o direito à educação básica
de qualidade.
A principal ação em andamento, intensificada durante a
pandemia, é a Busca Ativa dos alunos que deixaram de frequentar a escola. A
partir de um questionário on-line, a gestão de cada unidade entra em contato
com os alunos e familiares para reforçar a importância de manter o vínculo com
a escola e entender o motivo para o não cumprimento das atividades. Esses
contatos são feitos normalmente via e-mail, telefone, mensagens de WhatsApp ou
videoconferências com os pais ou responsáveis pelo estudante.
O processo de Busca Ativa é realizado com a constante
articulação entre as escolas estaduais e a rede de proteção dos municípios,
formada pelos serviços de assistência social (CRAS), saúde (CAPS, CAPSi, NASF),
Conselho Tutelar e outros órgãos.
Reintegração de mais de dois mil alunos de volta à escola
Os dados sobre evasão escolar são enviados pelas 1.064
escolas da rede estadual e compilados pela SED em um painel de BI. O painel
inclui informações detalhadas por município e região, além de considerar as
formas de contato com a família do aluno e os órgãos acionados na tentativa de
reintegrá-lo. Em 2021, este sistema eletrônico identificou que 10 mil alunos
pararam de frequentar a escola, sendo que dois mil deles retornaram às salas de
aula.
Ao analisar os casos, a SED identificou que o ensino remoto,
uma condição imposta pela pandemia em 2020, também teve influência no índice de
abandono e evasão de estudantes da rede. Por isso, o Estado organizou a volta
ao ensino presencial no dia 18 de fevereiro, antecipou a vacinação dos
profissionais de Educação para maio e, em agosto, atualizou o distanciamento
mínimo entre alunos dentro da sala de aula para 1 metro, medidas tomadas para
aumentar a capacidade de atendimento das escolas e garantir a segurança de
professores e alunos.
Ao término do primeiro semestre de 2021, cerca de 70% dos
estudantes da rede estadual já frequentavam a escola de forma presencial. Desde
o início do ano letivo, o contágio por Covid-19 em ambiente escolar nunca
ultrapassou os índices de 1% entre professores e 0,2% entre os alunos.
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