Previsão inicial da receita do Inter apresenta uma queda de R$ 100 milhões
Nenhum dos
principais dirigentes esboçou qualquer tentativa de diminuir a importância ou o
alcance da crise financeira do clube. Pelo contrário, o presidente Marcelo
Medeiros faz questão de expor os efeitos da paralisação do futebol nos cofres
do clube, inclusive como forma de convocar a torcida para ajudar a superar
essas dificuldades. Porém, a situação é cada vez mais grave, ao ponto de
colocar em risco o funcionamento da instituição já nos próximos meses. Segundo
algumas previsões, o Inter tem capacidade para resistir até, no máximo, o
começo de setembro.
O Inter fechou o primeiro trimestre, ainda sem os efeitos da pandemia, com R$ 34 milhões de déficit. A tendência era recuperar o valor nos outros meses do ano, mas a falta do futebol fez cessar as principais receitas do clube, como os direitos de televisionamento e as premiações por participação nas fases da Libertadores e do Campeonato Gaúcho.
“Temos fôlego para suportar até final de agosto ou início de setembro. Mas precisamos da ajuda dos associados. Até por isso, lançamos essa nova campanha para diminuir a inadimplência e buscar novos sócios”, afirmou Medeiros nesta semana, citando o plano que prevê recompensar os associados, inclusive com a eternização do nome em um monumento a ser construído no pátio do estádio Beira-Rio.
As medidas de
contenção de despesas atingiram todos os setores do clube e não pouparam o
futebol. Os jogadores aceitaram uma redução salarial e prorrogaram o
recebimento de três meses dos seus direitos de imagem para o ano que vem. Além
disso, os homens do futebol não deverão fazer novas contratações. A prioridade
é manter o atual grupo, buscando nas categorias de base alguma peça que possa
faltar. Por isso, algumas renovações de contrato foram antecipadas, como as de
Rodrigo Lindoso, Dourado, Thiago Galhardo e Uendel.
“Não temos qualquer informação sobre a volta das competições. E eu entendo que os times, em geral, trabalharão com os grupos que começaram o ano. Por isso, a gente está trabalhando para manter o grupo, que a gente acha que é bom. Estamos trabalhando para manter esse grupo forte, agregando mais alguns jogadores da base”, afirma Medeiros, que finaliza: “O cenário não permite contratações. Contratar, neste cenário, seria loucura”.
Nos primeiros dias após a paralisação do futebol, o Inter previu três cenários e preparou o clube para enfrentá-los. O problema é que o mais cruel, que previa uma parada de 90 dias das competições e uma quebra de receita de R$ 100 milhões, se esgota em duas semanas. Depois disso, os dirigentes precisarão rever o planejamento, além de fazer novos cortes de gastos.
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