O Ministério da
Economia informou nesta quinta-feira (19) que planeja pagar um auxílio para os
trabalhadores que recebem até dois salários mínimos e forem afetados pela
redução de jornada e salários proposta nesta semana pelo governo federal.
Também anunciou que pretende pagar os primeiros 15 dias de afastamento
se o trabalhador tiver contraído o coronavírus (leia detalhes mais abaixo).
O auxílio, destinado aos mais vulneráveis que tiverem renda e jornada
reduzida, busca contemplar 11 milhões de trabalhadores, a um custo de R$ 10
bilhões. Os recursos serão provenientes do Fundo de Amparo ao Trabalhador
(FAT).
Inicialmente a medida deve vigorar por três meses. Se o trabalhador for
demitido no curto prazo, esse valor antecipado pelo governo será descontado do
valor do seguro-desemprego.
Segundo o secretário especial de Previdência e Trabalho, Bruno Bianco, a
intenção é incentivar o acordo entre empresa e empregado e preservar os
empregos.
"Todas as pessoas que recebem até dois salários mínimos e tiverem
redução de salário e jornada, receberão uma antecipação de 25% do que teriam
direito mensalmente caso requeressem o benefício do seguro-desemprego",
informou o Ministério da Economia.
Segundo o governo, o valor mínimo desse auxílio será de R$ 250 por
trabalhador, mas o valor vai variar de trabalhador por trabalhador. “R$ 250 é o
piso, é o mínimo que vão receber. Ele vai receber R$ 250 ou mais”, afirmou o
secretário do Trabalho, Bruno Dalcomo.
A redução proporcional de salários e da jornada de trabalho, em até 50%,
foi uma das medidas anunciadas pelo governo para evitar demissões de
trabalhadores devido à queda na atividade econômica que já é observada no país,
mas que deve se agravar nas próximas semanas, gerada pela epidemia do
coronavírus.
O valor máximo das parcelas do seguro-desemprego passou a ser de R$ 1.813,03 desde o último dia 11 de janeiro deste ano. O
benefício máximo aumentou em R$ 77,74 em relação ao valor antigo (R$ 1.735,29)
e será pago aos trabalhadores com salário médio acima de R$ 2.666,29.
Com isso, a parcela de 25% deve variar de R$ 261,25 – 25% de R$ 1.045
que é a menor parcela do seguro desemprego – a R$ 453,26 (25% de R$ 1.813,03).
Redução de jornada e salário
Nesta quarta-feira (18), a equipe econômica do governo propôs a redução proporcional de salários e da jornada de trabalho.
A proposta do governo é permitir a redução de até 50% da jornada, com
corte do salário na mesma proporção, mediante acordo individual com os
trabalhadores.
Segundo a área econômica, a remuneração mínima continua sendo o salário
mínimo, ou seja, o salário dos trabalhadores não poderá ser reduzido abaixo do
mínimo.
Além disso, será observado o princípio da "irredutibilidade"
dos valores por hora recebidos pelos trabalhadores.
O governo ainda não informou se essa proposta será implementada por meio
de medida provisória – que teria validade imediata, precisando ser confirmada
pelo Legislativo em até 120 dias, ou por meio de um projeto de lei – que, para
ter validade, precisa ser aprovada pelo Congresso Nacional.
Afastamento devido ao coronavírus
O secretário especial de Previdência e Trabalho do Ministério da
Economia, Bruno Bianco, informou que o governo também vai propor ao Congresso
Nacional, via projeto de lei, pagar
os primeiros 15 dias de afastamento se o trabalhador tiver contraído o
coronavírus. Atualmente, esse período é pago pelas
empresas.
Segundo o secretário, essa proposta ainda está sendo fechada pelo
governo e nesse caso a liberação para o pagamento será feita de forma virtual.
Antecipação do BPC
O ministério também anunciou que vai adiantar o pagamento de R$ 200 para
pessoas com deficiência que tenha solicitado o Benefício de Prestação
Continuada (BPC) e também para quem solicitou auxílio-doença.
A antecipação será autorizada sem a necessidade de perícia médica
federal. A medida tem o objetivo de evitar que as pessoas procurem as agências
do INSS.
Para isso a pessoa poderá usar os canais virtuais para anexar o atestado
do médico particular. Será esse atestado que será analisado pela equipe do
INSS. “O benefício será dado sem que haja a necessidade de uma perícia médica
oficial”, afirmou Bianco.
Além disso, o governo também informou que o atendimento virtual das
agência do INSS será reforçado e que as agências manterão plantão reduzido,
somente para orientação e esclarecimento quanto à forma de acesso aos canais de
atendimento remoto.
Com isso mais servidores do INSS serão deslocados para análise dos
benefícios o que deve ajudar a reduzir a fila de benefícios pendentes.
Atualmente, segundo informações do Ministério da Economia, a fila do BPC para
pessoa com deficiência é de 470 mil.
“Temos que tomar medidas que façam com que esse público evite ao máximo
irem às agências. Não vamos fazer restrição, mas as nossas orientações serão
fundamentais e rígidas no sentido de fazer com que as pessoas não procurem as
agências do INSS”, disse Bianco.
O governo também suspendeu a exigência do Cadastro Único para Programas
Sociais (CadÚnico) para o recebimento do BPC. Essa medida também vale para quem
recebe o beneficio atualmente e não estavam escritas no CadUnico. A exigência
está suspensa por 120 dias.
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